A partir da década de 70, uma nova linha de estudos identificou vieses e heurísticas no julgamento das pessoas sobre tomada de decisões, sobretudo aquelas que envolvem um maior risco.

Tais estudos originaram as finanças comportamentais, que vem se destacando em linhas de pesquisa sobre o endividamento, no sentido de compreender o comportamento das pessoas frente as alterações no mercado econômico que propõe facilidades de consumo e acesso ao crédito.

Nas finanças comportamentais, o atual entendimento sobre o julgamento e a tomada de decisões sobre risco, foi formada através das descobertas das últimas décadas no campo da psicologia, por dois psicólogos israelenses, Amos Tversky e Daniel Kahneman.

Ao examinarem respostas intuitivas sobre questionamentos de diversos experimentos que realizavam, descobriram que os participantes ignoravam os fatos estatísticos relevantes e se apoiavam exclusivamente na semelhança, através do uso de heurísticas simplificadoras para fazer um julgamento difícil, provocando erros sistemáticos nas suas decisões.

A partir deste ponto de vista, Tversky e Kahneman desenvolveram a Teoria do Prospecto que é um dos fundamentos da economia comportamental. A teoria surgiu dos estudos sobre julgamento nas decisões com foco nos vieses, onde a ideia era de que nossas mentes fossem suscetíveis a erros.

Foi através de experimentos sobre como as pessoas tomam decisões sobre apostas simples, que confirmaram a existência de vieses sistemáticos e preferências intuitivas que violam as regras das escolhas racionais, tendo assim, originado uma teoria psicológica de como as pessoas tomam decisões sobre incertezas.

Nestes estudos sobre julgamento e tomada de decisões de Kahneman e Tversky, foi observado que as pessoas diante de um tempo limitado ou que considerem razoável para a tomada de decisão, utilizam estratégias diferentes para não precisarem manipular mentalmente todas as alternativas e opções disponíveis.

As pessoas estimam a frequência com que um evento ocorre na realidade, apenas recordando de exemplos trazidos à sua mente sobre acontecimentos disponíveis em sua memória, utilizando um processo de decisão por critério de eliminação, primeiro focando em um aspecto ou atributo diante das diversas opções e eliminando as demais, e então, selecionando um segundo aspecto e voltam a eliminar as alternativas que sobraram, repetindo este processo até que somente reste uma alternativa.

Logo, descobriram que a capacidade de tomar decisões racionais era distorcida em razão de regras heurísticas, que representam atalhos mentais que as pessoas utilizam no julgamento das alternativas ou opções, constituindo-se em um conjunto de regras que conduzem a resolução de problemas de forma satisfatória.

As heurísticas empregadas pelas pessoas na avaliação das probabilidades e para prever valores, são: a heurística da representatividade; da disponibilidade; e da ancoragem.

A heurística da representatividade funciona como um atalho mental que as pessoas se apoiam para julgar uma pessoa, uma coisa ou uma situação, baseadas em uma coleção de lembranças por ela já vividas.

Contudo, apesar de normalmente produzir estimativas condizentes, algumas vezes conduz a indecisões previsíveis, simplesmente, pelo fato de que a representatividade é um frágil indicador de probabilidade.

A heurística da disponibilidade corresponde a frequência de casos que vem à mente através da lembrança de experiências. Equivale a dedução intuitiva que se utiliza dessas memórias como uma amostra para estimar a probabilidade de um evento, a frequência de uma categoria ou a associação de dois fenômenos.

A heurística da ancoragem ou ajustamento, corresponde a um atalho cognitivo para “adivinhar” uma quantia utilizando como parâmetro um valor inicial disponibilizado que influencia na resposta final. Ocorre quando uma pessoa não tem conhecimento experimental sobre o evento, baseando-se em ponto de referência como âncora, a partir do qual realiza os ajustes intuitivamente para resolver a situação da incerteza.

Portanto, tem-se que as pessoas agem mais por emoção do que com a razão, muito em função de suas dificuldades de avaliar os riscos, seja por falta de conhecimento, informações ou crenças limitadoras.

Autor: André Marcio Borges