Todos os dias as pessoas enfrentam situações que exigem uma tomada de decisão com base em informações limitadas ou incompletas. Sejam elas simples ou complexas, a falta de conhecimento de informações relevantes que ajudariam a tratar melhor os riscos que envolvem as decisões, por vezes, levam as pessoas a fazer um julgamento com base em processos cognitivos, fatores sociais ou até crenças que as conduzem ao erro.

Considerando risco como um evento incerto, que conta com a possibilidade de que algum evento seja favorável ou prejudicial, o risco do uso do crédito está na possibilidade de um fato inesperado possa provocar o comprometimento da obrigação do pagamento, resultando na inadimplência e nas suas consequências.

A percepção que se têm da possibilidade da incidência de um efeito adverso ou negativo a um evento pretendido, corresponde ao modo como os indivíduos reconhecem o risco e se relacionam com ele, por isso, a percepção que uma pessoa tem sobre o risco é fundamental para a determinação de sua tolerância sobre ele, ou seja, como suporta ou aceita algo que não se quer ou não concorda.

Isso se deve ao fato de que a percepção é originada a partir de impressões ou sensações previamente concebidas através de crenças, atitudes e sentimentos que estabelecem a sua tolerância ao risco, ou seja, a maneira com que as pessoas enfrentam as ameaças é resultante da interação dos processos cognitivos da personalidade e dos fatores sócio, econômicos e culturais a que se sujeitaram, por isso, cada indivíduo reage de forma diferente frente ao uso do crédito.

Logo, a perspectiva no momento da tomada de decisões, apoia-se na percepção que o indivíduo tem de dois elementos que estruturam a avaliação sobre riscos: os ganhos e as perdas. Como os ganhos não são traduzidos somente em vantagens monetárias ou materiais, percebe-se como a complexidade de uma análise econômica torna difícil a tomada de decisões para as pessoas em um contexto de risco, sobretudo o risco do uso do crédito.

Importante entender que aversão à perda não é a mesma coisa que aversão ao risco. As pessoas buscam ganhos seguros e perdas arriscadas. Veja como exemplo os jogadores compulsivos frente a uma perda, frequentemente, arriscam perder ainda mais somente pela chance de não ficarem no prejuízo.

Sendo assim, um indivíduo que manifesta uma fraca tolerância em relação ao risco de crédito, tende a não contraí-lo ou utilizar-se de pequenos volumes e por um curto prazo, porém, se o nível tolerância for elevado, potencializa uma maior exposição ao risco, onde o multiendividamento é favorecido.

Então, o julgamento e tomada de decisões de uma pessoa que detenha uma gestão menos comprometida, o simples pagamento das prestações na data de vencimento e a negociação dos juros no momento inicial do negócio, são suficientes para sua decisão.

Porém, se existir uma gestão mais estratégica desse risco, a pessoa poderá julgar ser melhor criar uma poupança, contratar apenas parte do valor pretendido, ou até optar pela contratação de um seguro de proteção ao crédito.

Autor: André Marcio Borges