Desde 2003, o crédito consignado tevê um papel importante na democratização do crédito no Brasil, atingindo uma grande parte da população antes excluída do portfólio de clientes das instituições financeira, devido a sua carência de recursos financeiros, por isso, representa um instrumento social que proporciona aquisição de bens e serviços que de outra forma seria impossível de se adquirir.

Igualmente importante na democratização do conhecimento, a Educação Financeira atua como um mecanismo instrutivo que possibilita a interação consciente das pessoas com o meio econômico, sendo relevante para uma grande parte da população que não possuí condições de planejar um futuro próspero.

Sendo assim, a correlação entre a Educação Financeira e o uso do crédito consignado está na convergência das necessidades do SER e do TER, onde a insuficiência de ambos produz prejuízos de ordem econômica e social.

É preciso entender que o crédito consignado é um produto derivado de um planejamento econômico para a expansão do consumo, contendo  facilidade de acesso e menores taxas de juros, tais características derivam da garantia de recebimento com a retenção de uma parte da renda com descontos diretamente da folha de pagamento.

No entanto, é possível ter ganhos substanciais de bem estar através do uso do crédito consignado, quando utilizados para adquirir produtos e bens duráveis ou preencher quedas temporárias de renda. O uso desse tipo de crédito serve para financiar estas compras ou para acomodar algumas dívidas com juros maiores, com parcelas de longo prazo e taxas de juros menores.

Todavia, o uso do crédito com parcelas de longo prazo, provoca um congelamento do orçamento familiar, devido parte do salário ficar comprometido por muito tempo. Neste ponto, o comprometimento da renda por longo período de tempo, produz restrições orçamentárias vinculantes do consumo no presente e no futuro.

Dessa maneira, os riscos que envolvem o uso do crédito consignado, tem relação direta com o bem estar social, em razão da sua diminuição e do aumento da restrição orçamentária.

Portanto, todo cuidado é pouco em relação ao valor total da margem consignável utilizada para descontos das parcelas de empréstimos consignados. Deve ser verificado se as parcelas se adaptam ao orçamento financeiro, a fim de minimizar possíveis dificuldades financeiras no futuro.

Outro ponto a ser ressaltado, que estatisticamente o endividamento pode acentuar o aumento da probabilidade da ocorrência de dificuldades financeiras, porém, não necessariamente seja uma relação de causa e efeito, uma vez que, estas dificuldades financeiras também podem ser a causa do endividamento.

Neste sentido, o sucesso da administração das finanças está na manutenção de um padrão de vida onde exista um rigoroso controle das despesas e um conhecimento efetivo da renda líquida, pois, a competência financeira reside na capacidade de tomar decisões apropriadas, através da gestão dos recursos financeiros e do monitoramento dos gastos, para estabelecer um planejamento de consumo que possa manter um endividamento sustentável.

Neste sentido, levantamos algumas situações que estabelecem na prática, a educação financeira no uso do crédito consignado:

Exemplo 1 – antes de contrair um empréstimo, verifique se o comprometimento de parte da sua remuneração cabem no seu orçamento financeiro mensal. Caso verifique que não seja possível, realize um diagnóstico financeiro preciso sobre as contas e despesas mensais, para identificar quais despesas podem ser reduzidas ou eliminadas, a fim de que, possam ser estimados os valores para um novo orçamento financeiro mensal, que comporte o pagamento das parcelas de empréstimos.

Exemplo 2 – Após ter contraído um empréstimo, diante de uma situação onde sua remuneração venha a ser diminuída, as parcelas de empréstimos com descontos na folha de pagamento poderão exceder a sua capacidade orçamentária, exigindo uma atuação rápida, na tentativa de realizar um refinanciamento que promova o alongamento do prazo, com a diminuição das parcelas, estabelecendo uma nova condição para orçamento mensal de despesas.

Apesar de parecer improvável, casos recorrentes de variações na remuneração dos servidores ocorrem devido a diversos fatores. Neste caso, o problema estará no excedente do limite da margem consignável, ou seja, passam a comprometer ainda mais a sua capacidade de endividamento.

Dessa maneira, a educação financeira visa estimular algumas alterações no comportamento das pessoas para criar uma consciência da necessidade do equilíbrio financeiro, exigindo mudanças de hábitos e costumes em relação ao uso do dinheiro, que influenciarão na manutenção de um endividamento sustentável.

Autor: André Marcio Borges